domingo, 16 de fevereiro de 2014

Um urologista que merece PhD em emoções



1 de setembro de 2010 | postado por Cinthya Leite 



Dedicado, Carlos Bayma não se limita a analisar só a saúde urológica dos seus pacientes (Foto: Juan Pablo Ausín / Divulgação)
Com a chegada de setembro, é hora de nosso blog atualizar a seção mensal O especialista, cujo segundo post traz um profissional que cuida dos probleminhas urológicos e também se preocupa muito com o leque variado de sentimentos que os pacientes levam para o consultório. Pois é, o valor que Dr. Carlos Bayma atribui às nossas emoções é alto.
E eu concordo com esse posicionamento dele, pois sei que a saúde mental é um bem precioso. Urologista dedicado, ele está cada vez mais ativo no mundo online. Levou o seu projeto Conhecer para mudar (que tem como sigla CPM) para a internet, num formato de blog, que oferece informações de sobra para pessoas de todas as faixas etárias. Lá, ele não fala só de doenças urológicas. Escreve sobre outros assuntos relacionados a saúde física e mental, a bem-estar e a qualidade de vida.
Não é raro encontrá-lo à frente de alguma palestra, já que ele adora passar adiante os conhecimentos de uma forma didática. Por sinal, hoje, às 18h45, ele conversa com o público da Livraria Jaqueira sobre auto sabotagem – em linhas gerais, é caracterizada por um ciclo de comportamentos repetitivos que só trazem sofrimento.

Admiro médicos que não guardam o que sabe só para si próprio. Espalhar informações é sempre muito bom, concordam? Além de tudo isso, Dr. Carlos Bayma ainda tem tempo de se reunir com os amigos para tocar. Acreditem: é um baterista de mão cheia – a foto que está no meio deste post é a prova disto.
Dia desses, lembrei que meu primeiro contato com ele foi em abril de 2004, quando eu estava produzindo uma matéria sobre câncer de próstata. Na época, ele me disse que o tratamento da doença depende do estágio e da agressividade do tumor. “A terapia inclui acompanhamento clínico e retirada total da próstata. Em alguns casos, é preciso indicar a hormonioterapia, a radioterapia e a braquiterapia”, afirmou Bayma, na matéria publicada há mais de seis anos no Jornal do Commercio (pena eu não ter as páginas em PDF ou JPG. Se tivesse, iria colocá-lo na seção “Matérias que amo” deste Casa Saudável).


Ainda revendo as minhas reportagens do JC, vi que ele me concedeu outra entrevista sobre disfunção erétil. Isso foi em novembro de 2005. É tempo, viu?!? Os dias passam, e a gente nem se dá conta!!! Voltando à matéria… O texto foi feito com base numa pesquisa que demonstrou que os homens que possuem o problema levam dois anos para contar sobre a impotência ao médico.
Na matéria, Dr. Carlos Bayma destaca: “Eles só marcam visitas ao consultório para fazer exame de próstata. É que ainda existe a ideia de que disfunção erétil é sinônimo de fracasso sexual”, disse o médico, que disse verificar a presença masculina nas clínicas apenas quando o homem não aguenta mais a pressão da parceira. Essas duas reportagens foram publicadas no extinto caderno dominical Família, que foi substituído pela Revista JC, da qual participo com muito empenho.
Agora, com muito prazer, o Casa Saudável publica esta entrevista exclusiva e informal (ah, e gostosa de ler) com Dr. Carlos Bayma. Acompanhem abaixo os destaques da conversa que tive com ele.
O PAPEL DE CUIDAR
“Como médico, cuidar das pessoas faz parte da profissão. E não significa carregá-las nas costas. Afinal, no tratamento, assim como no diagnóstico e prognóstico (acompanhamento), existe a parte que cabe ao paciente e/ou à família dele. Cuidar significa orientar, encorajar, tornar o caminho menos doloroso. É ser honesto, paciente, ético e até duro, quando assim exigir o momento. E mais: cuidar é parte da vida assim como ser cuidado. Entretanto, jamais querer que o outro o carregue ou servir de escora para pessoas que fazem da chantagem sutil ou descarada um meio de vida.”
CUIDADOS COM A SAÚDE

“Não é muito obediente não. Talvez por ser médico, muitas vezes – e até inadvertidamente – deixo de fazer o que me foi proposto pelo médico que consultei. Não recomendo essa prática, e esse é realmente um problema dos médicos, o de querer ser seu próprio médico, mesmo quando se trata de outra especialidade que não a sua. Prezo muito mais minha saúde mental e transcendental do que a física, pois acho que esta última é consequência das anteriores. Como não sou portador de doenças graves ou limitantes e nem carrego traços genéticos mais graves, limito-me a realizar os check-ups anuais próprios da minha faixa etária.”


ALIMENTAÇÃO E ATIVIDADE FÍSICA



Caminhadas fazem parte da vida do urologista (Foto: Divulgação)

“Embora adore doces, evito-os. Menos o chocolate, geralmente amargo ou meio amargo. Minha alimentação é baseada em grãos e óleos insaturados, como linhaça, gergelim e soja. Gosto de saladas, frutos do mar e peixes. E não tenho muita paixão por carnes vermelhas ou aves. Procuro fazer meu cardápio à base de produtos integrais e orgânicos, quando assim é possível. Nada de grandes exageros ou proibições. Quase nada de álcool porque esse tipo de bebida me deixa nauseado. Quanto à atividade física, já fui mais ativo. Todavia, não sou sedentário. Faço caminhadas ou ando de bicicleta de forma regular, além de fazer alongamento matinal na hora do banho. Nem tanto, nem tão pouco.”


HORAS VAGAS 

Olhem só: fora do consultório e longe das palestras, Dr. Carlos Bayma dá show na bateria (Foto: Divulgação)

“Meu tempo livre é sagrado. Só faço o que estou com vontade. Geralmente medito, leio muito, escrevo e assisto a filmes. Em algumas ocasiões, quando o tempo permite, reúno-me com amigos para tocar. Ah, sou baterista. Frequentemente saio para fotografar paisagens e pessoas de forma amadora. Viajar e dormir são outras paixões das quais não abro mão.”
MUNDO ONLINE
“Gosto da internet, mesmo com suas mazelas. Quando bem usada, facilita a vida e pode trazer vantagens. Acredito que a web me faz funcionar como um catalisador para despertar pessoas. Exponho minhas ideias sem dificuldade, sem medo de críticas ou empolgação com elogios. A finalidade é divulgação de conteúdos que possam trazer benefícios para o outro. Como resposta, atraio benefícios para mim.”
PAPEL DO UROLOGISTA
“Acho que a população está começando a perceber que o urologista não é só o médico do homem. Muita gente já sabe que podemos cuidar dos problemas das mulheres. Em parte, a internet é responsável por essa mudança. Porém, ainda é considerável o número de pessoas, mesmo instruídas, que acha que o ‘urologista é o ginecologista dos homens’, o que realmente é uma asneira.”
EXAME DO TOQUE
“O toque retal para avaliar a próstata só existe porque esta fica ‘colada’ ao reto. A única razão é essa. Não há nada de sexual nisso. Muito menos sinto qualquer tipo de prazer ou sarcasmo ao realizá-lo. Entretanto, faz parte da investigação periódica da próstata, juntamente à dosagem sanguínea do PSA (sigla em inglês para do inglês, antígeno prostático específico) e à ultrassonografia desse órgão. A verdade é que o toque retal não é necessário em todos os casos. Homens com menos de 50 anos, que apresentam PSA e ultrassonografia normais, não se queixam de problemas urinários e não têm história familiar, estão dispensados do toque retal. Nunca me submeti ao toque retal, pois me encaixo no grupo que mencionei anteriormente. A vantagem do periódico prostático é surpreender o câncer antes que ele o surpreenda, pois, em muitos casos, o tumor evolui de forma sorrateira e silenciosa. Vale dizer que, uma vez diagnosticado em sua fase inicial, o câncer de próstata tem enormes chances de cura.”
HOMEM NO UROLOGISTA
“Se o homem não tem história familiar de câncer prostático, deve começar a ir ao urologista com frequência a partir dos 45 anos. E se tiver história de câncer em parentes de primeiro grau, a partir dos 40 anos. Ou em qualquer faixa etária se apresentar sintomas de alterações urinárias ou ejaculatórias, mais especificamente se houver sangue na urina ou no esperma.” 


Urologista é médico do homem - e também da mulher (Foto: Divulgação) 


MULHER NO UROLOGISTA

“Já a mulher deve ir ao urologista sempre que apresentar casos de alterações urinárias. Isso inclui incontinência urinária, infecções urinárias de repetição, cálculos renais, cistocele (bexiga baixa) e tumores do sistema urinário.”

PROBLEMAS COMUNS NO CONSULTÓRIO


“Existem três queixas que predominam nas consultas: disfunção erétil (impotência sexual), incontinência urinária (principalmente em mulheres) e dificuldade miccional. Nos homens jovens, a ejaculação precoce e as doenças sexualmente transmissíveis são mais frequentes.”

MEDICINA PSICOSSOMÁTICA


“Acredito que sempre vi ou procurei enxergar o ser humano com um todo, de uma forma holística. A psicossomática, ou medicina mente-corpo, por si só, é insatisfatória. O ideal é que os médicos tivessem um conhecimento ampliado do ser humano, incluindo a medicina dos doshas (indiana), a medicina sutil (chinesa e tibetana) e a homeopatia. A medicina tradicional ocidental (alopática) é muito boa para situações de emergência, mas deixa a desejar nas doenças crônicodegenerativas, quando atua apenas paliativamente. Um conjunto das melhores partes de cada medicina seria, em minha opinião, o mais interessante para o paciente.”


VIDA A DOIS

"Creio mais na pessoa certa, que se encaixa na sua vida, assim como você na dela, navegando num mar de interesses comuns", poetiza Bayma (Foto: Divulgação)

“Minha companheira, Joseane Duque, e eu nos conhecemos há dois anos pela internet. E estamos juntos há um ano e meio. Temos filhos sim. Ela tem os dela; e eu, os meus. No total, são cinco. Sobre a felicidade conjugal, desconheço realmente algum segredo para um relacionamento feliz. Não conheço fórmulas. Creio mais na pessoa certa, que se encaixa em sua vida, assim como você na dela, navegando num mar de interesses comuns, com respeito, cumplicidade e prazer.”

* Carlos Bayma é médico em urologia e psicossomática. E ainda é autodidata em física quântica, metafísica da saúde, fotografia e música. É também urologista do Hospital Esperança, onde é responsável pelo setor de uroneurologia e urodinâmica. Como adora compartilhar ideias, achou fundamental se tornar palestrante free-lancer e dos Projetos CPM, Medicina das Emoções (Livraria Jaqueira) e Papos & Ideias (Livraria Saraiva). Não deixem de acompanhá-lo no Twitter: @CarlosBayma. Recomendo demais!
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