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sexta-feira, 16 de março de 2012

A Criança e a formação do ego

Estiveste com medo de ser engolido
pela terra ou assimilado pelo ar.
Agora, teu pingo d’água se desprende
e goteja no oceano, de onde veio.
Já não tem a forma que tinha,
mas ainda é água.
A essência é a mesma.
Esse desprendimento não é um arrependimento.
É uma honra profunda que fazes a ti mesmo.
 (Jalaluddin Rumi, poeta do século XIII)

Nossa essência é aquilo que somos quando conseguimos perceber que estamos libertos da influência do passado... é o nosso estado de consciência em nossa origem e sem incondicionamentos. 

Bem... segundo pesquisas e estudos de muitos que estiveram interessados em entender a estrutura do ego que formamos é que: quando nascemos, todos nós nos encontramos em um estado incondicionado, indiferenciado, ou seja: Quando éramos bebês, não sabíamos que era nesse estado que vivíamos, pois ainda não tínhamos a autoconsciência... esse é o estado em que vivíamos na primeira infância...

E como se dá o processo de perda desse contato com a natureza com que todos nascemos?

A compreensão desse processo nos ajuda a entender a personalidade que se formou e nos ajuda também saber o que todos nós temos de enfrentar dentro de nós, para que a gente possa nos unir de novo à nossa essência.

Nas obras espirituais, essa perda de contato é frequentemente comparada a um adormecimento, do qual resulta um estado de ignorância ou escuridão.

O processo de perda de contato com a nossa origem vai ocorrendo aos poucos no decorrer dos primeiros anos de vida, e quando chegamos aos quatro anos, aquilo que somos em Essência já está praticamente perdido para a nossa percepção.
E é essa perda da consciência da nossa natureza essencial que desencadeia o desenvolvimento de toda estrutura do ego. De qualquer forma, pouca importância tem em saber quais sejam as nossas crenças acerca do propósito dessa perda. Ela é simplesmente uma base em que nós podemos optar entre lidar com esse nosso distanciamento ou permanecer adormecidos. Vários fatores conduzem a essa perda de contato com a Essência.
O primeiro deles é a identificação com o corpo: achamos que nós somos o corpo e o corpo somos nós.

Segundo o que se sabe, baseada nas experiências daqueles que mergulharam nas camadas mais profundas de sua estrutura de personalidade e nas memórias que elas contém, é a de que o bebê vive num estado de unidade que engloba as sensações corpóreas, as emoções e os estados essenciais.

É provável que, embora a criança veja as diferenças entre as coisas, não saiba que elas estão separadas umas das outras.
Ela sente o calor do seio da mãe, por exemplo, vê o vermelho da bolinha de borracha e sente os espasmos da fome no estômago, mas provavelmente não concebe essas experiências como distintas entre si. Para ela, calor, vermelho e fome simplesmente fazem parte da unidade de sua existência.

Tudo o que a criança tem conhecimento são as sensações agradáveis e desagradáveis e traços dessas impressões vão se depositando aos poucos no sistema nervoso central em desenvolvimento. Com a repetição das impressões, começa a se formar a memória.Aos poucos vai se formando uma outra distinção: uma noção do dentro e fora.

O conjunto de sensações vindas de dentro do corpo a criança vê como um sentido de identidade rudimentar, que vai dando margem para a base do nosso sentido do eu.

Pela repetição da experiência de que a criança ser tocada pela mãe ou por quem faz o papel de mãe, o conjunto de sensações na periferia do corpo se transforma numa noção dos limites do corpo. O corpo de cada ser humano é separado dos corpos dos outros seres humanos; por isso, a repetição do contato da pele com o ambiente que circunda a criança vai produzindo uma idéia de que ela é uma identidade separada, isolada.

Essa sensação de separação vai estabelecendo outra crença e outra característica do ego. A nossa auto-imagem identifica-se automaticamente com o corpo. A identificação com o corpo e com o fato dele ser uma entidade limitada e isolada, desliga-nos da consciência do recém-nascido, em que todas as coisas são percebidas como uma só, ou seja, a UNIDADE que trata das experiências espirituais profundas relatadas pelos místicos de todas as eras.

Quando nos identificamos com o corpo, passamos a nos ver como irremediavelmente isolados, divididos, separados do restante da realidade e não como manifestações individuais de um Ser único. O segundo fator que nos faz perder contato com nossa natureza essencial está nas deficiências do ambiente no qual vive o bebê. Deficiências que o ambiente, o meio para qual ele veio exigem e impõe, e, por outro lado, a falta de sensibilidade desse mesmo ambiente e particularmente da mãe às necessidades da criança. Como os bebês são incapazes de comunicar verbalmente suas necessidades, essa insensibilidade costuma ser inevitável – a mãe não pode senão adivinhar se a criança está com fome, com gazes ou com a fralda suja.

O sofrimento, que de início é físico, leva o bebê a reagir na tentativa de aliviá-lo. O instinto de sobrevivência entra em cena e o bebê entra em alerta vermelho para procurar se proteger da dor e eliminar-lhe a causa.

Essa reação desliga o bebê do estado de sua consciência que está completamente unida à Essência. Quando passa o sofrimento, a consciência do bebê se une novamente àquele estado de sua Essência, onde não há diferenciação.

Esse ciclo de reação e relaxamento vai se repetindo indefinidamente, estimulado pelo ambiente. 
Quando ocorrem maus tratos ou outras formas graves de violência, a reatividade se torna mais ou menos constante.

Mesmo quando não há trauma, o ambiente se afigura de qualquer modo como algo não muito confiável e assim crescemos separados da nossa natureza essencial.

Com a perda da sensibilidade contínua, essa falta de acolhimento vai gerando uma falta de confiança que e vamos produzindo reações, o que está na raiz de todo o desenvolvimento do ego. Como tem de reagir à perda do acolhimento, a criança já não é puro ser; rompe-se a espontaneidade natural.

Com o seu desenvolvimento em bases nas reações de um ambiente hostil, a criança se desenvolve separada do Ser Puro que é e começa a desenvolver o ego, deixando de amadurecer e expressar sua natureza real.

Quanto menos acolhimento a criança tem no seu ambiente, mais o seu desenvolvimento será baseado em reações, como forma de lidar com um ambiente no qual ela não pode confiar. 
A criança vai inventando mecanismos para se proteger de um ambiente indigno de confiança, sendo esses mecanismos que constituem a base do nascimento de sentido de eu/ego.

O desenvolvimento da consciência da criança passa a ter como fundamento a desconfiança; e a desconfiança é uma das bases do desenvolvimento do ego.

A consciência da criança interioriza o ambiente no qual está crescendo e depois projeta no mundo esse ambiente. Está contido no ego uma desconfiança fundamental em relação à realidade.

A insensibilidade do ambiente gera ausência de uma confiança básica; essa ausência se torna uma separação em relação ao Ser real que ela é; essa separação gera as reações, que é a atividade do ego. A separação do estado de sua verdadeira origem com que a criança veio ao mundo cria uma dualidade entre ela e a essência. Junto com a identificação com o corpo. É essa dualidade que dá origem à crença na separatividade. Essa é uma teoria sobre a ilusão da dualidade, na qual percebemos o eu e o Ser Real como duas entidades distintas.

O terceiro fator que contribui para a perda de contato com o Ser Real é a falta de sintonia dos pais com a nossa real natureza.
Fomos criados por pais (ou quem nos criaram) que acreditavam que eram entidades separadas, o que molda profundamente a nossa consciência. Como eles mesmos não tinham contato com a sua própria natureza essencial, eles não eram capazes de perceber, dar valor ou nos fazer ver a nossa verdade.

A nossa consciência, nos primeiros meses de vida, estava fundida à da nossa mãe; por isso, o que ela sente de nós passa a ser o que nós mesmos sentimos.

Nós nos tornamos o que a nossa mãe acha que somos. Os pais nos transmitem não só a sociedade e a cultura, mas toda a visão de um mundo que eles mesmos acreditam. Essa visão de mundo que absorvemos junto com o leite materno (???) é a personalidade; Nela, o mundo físico é percebido como a única dimensão da realidade. Como a dimensão da nossa natureza real, nossa essência não nos é mostrada, nós mesmos começamos, aos poucos, a perder o contato com ela. Parece que o bebê capta diversas qualidades da Essência, mas há algumas que se tornam predominantes em certas fases específicas do desenvolvimento. Há uma fase de simbiose, por exemplo, que vai mais ou menos dos dois aos seis meses, onde o Aspecto predominante é o do amor extático, caracterizado por uma doçura e uma sensação de unidade com todas as coisas. É durante essa fase que o filho e a mãe sentem-se fundidos um no outro e é essa doce sensação de união que os adultos procuram inconscientemente reviver quando se apaixonam.

À medida que a criança passa pelos diversos estágios do desenvolvimento do ego, os Aspectos predominantes vão se sucedendo correspondentemente. As rupturas ou traumas que acontecem durante um determinado estágio vão afetando a nossa relação com o Aspecto de nossa Essência, enfraquecendo esse contato. Esses traumas se tornam parte da história gravada em nosso corpo e fazem parte de nossas memórias subconscientes. 
Algumas escolas espirituais chamam essa perda de contato com as profundezas de “a queda”. Não acontece de uma vez, mas aos poucos, no decorrer dos quatro primeiros anos de vida, à medida que vamos passando pelos estágios nos quais predominam determinados Aspectos.

As rupturas dos estados essenciais e o fato de não se chamar à atenção para os Aspectos faz com que eles se percam sucessivamente para a consciência, alguns gradativamente, alguns de forma abrupta. Por fim, se chega a uma espécie de “massa crítica” que faz com que todo o mundo da Essência saia da consciência. Por ser a Essência a natureza da alma, a queda não equivale a uma perda da Essência – antes, simplesmente perdemos o contato com ela. Trata-se de uma distinção importante, pois significa que o mundo essencial está sempre presente; nós só o “esquecemos”, varremo-lo da consciência. Está aqui a cada momento e é inseparável do nosso ser, mas passou para o inconsciente.

Essa idéia é a base de algumas doutrinas espirituais, segundo as quais nós já somos iluminados. O que não nos consola, pois o mundo essencial não vem à consciência pelo simples fato de sabermos mentalmente que ele está lá.

Lena Rodriguez
( parte de texto modificado por mim e permanecido apenas as partes que julgo essenciais do pdf que acompanha o Curso de Florais: Cuide Bem de Você “Alquimia Amorosa” para a Criança Interior: http://cuidebemdevoce.com/curso-de-florais.php )
Cuide bem de você...

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Os atos "falhos"


"Em todo adulto espreita uma criança - uma criança eterna, algo que está sempre vindo a ser, que nunca está completo, e que solicita, atenção e educação incessantes. Essa é a parte da personalidade humana que quer desenvolver-se e tornar-se completa" Carl Gustav Jung

Em medicina oriental, a doença é testemunha de um obstáculo para a realização em nosso trajeto na vida... Assim, a mente subconsciente exprime, por meio de problemas ligados à energia que geram doenças, os entraves ao nosso desenvolvimento pleno, sendo importante compreender e tratar os mecanismos psicoenergéticos que estão por trás da doença a fim de recobrar a saúde(...)

Junto com o que havia chamado de ato "falho", Freud nos forneceu um elemento extraordinariamente rico da psicologia individual e das interações corpo-espírito. Ele dizia que exprimíamos, liberávamos tensões interiores que não havíamos podido ou sabido liberar de alguma forma através dos nossos lapsos, dos nossos gestos desastrados e acidentais.

Assim, quando cometemos um lapso considera-se, na verdade, que este exprime o que realmente pensamos.

O que sempre me surpreendeu é que ele tenha chamado esses atos de "falhos". Eles são, em razão disso, automaticamente percebidos, sentidos como um erro, algo que não está adaptado e que deve ser evitado (ao menos pela maioria dos indivíduos). Isso é uma pena, pois, na medida do possível, iremos procurar impedir que eles aconteçam, particularmente quando instalamos uma censura interior mais eficaz. Prefiro chamá-lo de um ato "bem-sucedido", mesmo se o resultado tangível não for aquele esperado pelo Consciente da pessoa, pois esse ato é a manifestação real de uma tentativa de comunicação com o nosso Consciente por parte do nosso Não-Consciente. Trata-se de uma mensagem, às vezes codificada, através da qual o nosso Não-Consciente exprime uma tensão interior; para o nosso Consciente isso significa que as coisas não estão coerentes, não se encaixam. É o Mestre ou Guia Interior que vem puxar as rédeas que o Cocheiro adormecido segura, esperando que as sacudidelas causadas pelos buracos e lombadas do caminho venham acordar este último.

Assim como as mensagens das quais falava anteriormente e das quais ele faz parte, o ato "bem-sucedido" pode tomar três formas. Pode se tratar de um lapsus linguo, e, ou seja, de um "erro" de expressão verbal (empregar uma palavra no lugar da outra), de um gesto "desastrado" (derrubar uma taça em alguém ou quebrar um objeto), gesto esse que não apresenta o resultado esperado, e, enfim, de um ato mais traumatizante como um corte, uma entorse ou um acidente de carro. Vimos este último tipo no capítulo sobre os traumatismos.

O que acaba de ser colocado nos permite compreender por que Freud falou em ato "falho", uma vez que este sempre toma uma forma de aparência negativa. A razão é muito simples. O nosso Não-Consciente se comporta como uma criança. Quando uma criança acha que seus pais não lhe dão atenção suficiente, não a escutam o bastante, ela faz o que for necessário para que isso mude. No berço, ela chora, urra e isso funciona, então o sistema é bom. Mais tarde, estará fazendo a mesma coisa ao quebrar um prato, tirar notas ruins na escola ou bater na irmã ou no irmão menor. E nós agimos como os pais. Estamos ocupados demais para nos dar conta das necessidades da nossa criança interior. Então só reagimos quando o apelo se torna incômodo, ou seja, negativo. Não soubemos captar nada anteriormente. Acontece o mesmo entre o nosso Consciente e o nosso Não-Consciente. Este último nos envia muitas mensagens "positivas", como as que eu menciono no capítulo sobre o efeito espelho ou como os sonhos, mas, na maioria das vezes, não somos capazes ou não estamos prontos para ouvi-las.

O Não-Consciente, o Mestre ou Guia Interior, passa então para o segundo estágio, que é o das mensagens de caráter "negativo", ou seja, que oferecem dissabor, a fim de que escutemos e prestemos atenção. Se a comunicação ainda existir, uma vez que não foi cortada por uma hipertrofia do Consciente, a mensagem passará através de tensões físicas ou psicológicas, de pesadelos ou de atos "falhos" leves (lapsos, quebra de objetos significativos etc.). Se a comunicação for de má qualidade, mesmo quase inexistente, a força da mensagem vai aumentar (quando a linha está ruim no telefone, às vezes devemos urrar para que o nosso correspondente nos ouça). Vamos entrar na fase acidental ou conflitante para provocar e obter os traumatismos dos quais falei no capítulo anterior. Podemos também fazer com que fiquemos... doentes (pegar frio, beber ou comer em excesso ou em quantidade insuficiente etc.). Se, enfim, a comunicação for totalmente cortada, temos então a doença  profunda, estrutural (doenças auto-imunes, cânceres etc.).
(trecho do livro: Diga-me onde dói que te direi porque-Michael Odoul)


Segundo a tradição espiritual do Havaí, nossa Criança Interior por analogia é nossa Mente Subconsciente...  

SUA PRINCIPAL FUNÇÃO É A MEMÓRIA

É na criança que se encontra o nosso reservatório de memórias, todos os registros, programações e suas percepções... 

São nossas crianças que riem, que choram, que sentem medo, raiva, amor, ódio, alegria, enfim, todas as emoções e que nos fazem pensar que somos nós (mente consciente)... Elas têm características próprias, podendo ser brincalhonas, mal humoradas, primitivas... 

Todos esses sentimentos e emoções que provêm das memórias da criança podem ser tão fortes a ponto de superar a nossa vontade (mente consciente)... E não termos o menor controle!!! (portanto, daí advém o ato falho percebido por Freud).

Armazena também ideias não percebidas pela mente consciente no momento de sua formulação. E nós, (mente consciente) não sabendo que estão lá, não solicitamos. Assim, pode a Criança, em determinadas ocasiões, fazer com que nós não possamos controlar a sua manifestação. 

É a Criança em nós que aprende, que se lembra e se recorda, é ela que desenvolve as nossas habilidades e hábitos, a que mantém a integridade do corpo físico, guardando um sentido de identidade durante o dia a dia. 

Também é ela que registra todas as impressões, tanto dos fatos bons quanto dos ruins. É a ‘responsável’ pelo ‘nosso’ raciocínio dedutivo partindo das imagens que são fornecidas durante a infância. 

Ela faz também faz associações das recordações para a concepção de um raciocínio que, “pensamos”, partir de nós (mente consciente). 

Quando nossa mente consciente solicita qualquer tipo de comando, é a criança interna que responde rapidamente, dando forma às lembranças e as enviando, dando-nos a impressão de que o que falamos ou escrevemos está registrado em nossa mente consciente. 

É em nossa criança interna que estão impressas nossas crenças, nossa memória genética e a aprendida, ficando guardadas no corpo, memórias celulares, como um modelo de vibração ou movimento. E quando há um estímulo, interno ou externo, mental ou físico, o movimento ocorre e a memória é liberada, dando origem a um comportamento mental, emocional ou físico.

Ela é responsável por toda parte instintiva em nós, as funções involuntárias do corpo, pela fisiologia do corpo, crescimento, desenvolvimento, manutenção (metabolismo), recepção e transmissão sensorial. 

Quanto aos nossos hábitos, os registros captados pelos cinco sentidos que passam a se incorporar na repetição de procedimentos que acabam transformando-se em costumes. Assim como qualquer coisa que você ouve, vê, toca, cheira ou diz, de igual modo, é armazenado. E isso acontece pela participação da mente consciente, de forma direta ou indireta. 

Todas as manifestações que nós adultos temos, através de sentimentos, emoções, toda e qualquer reação que tenhamos, são sempre a maneira de nossa criança interna reagir.
A comunicação, a reconciliação com a nossa criança têm a ver com o perdão que pedimos a ela pelos julgamentos que fizemos dela. Julgamos nossa criança interna sempre que julgamos alguém, não importa quem e que tipo de julgamento, afinal somos UM!

Lena Rodriguez

Cuide bem de você...
www.cuidebemdevoce.com

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