quarta-feira, 20 de abril de 2011

QUANDO A SIRENE DA EUROPA PASSOU A TOCAR

Não me canso de contar, para meus amigos e familiares, que o país onde vivo se destaca por ser um lugar onde a “busca por segurança” mostra os seus sinais na primeira segunda-feira de todos os meses, quando tocam uma sirene ao meio-dia.

A finalidade da sirene mensal é educar os sentidos dos cidadãos, para que se habituem ao som. Caso ela seja acionada, em qualquer outro dia, significa o alerta de uma catástrofe, acidente, incêndio ou inundação. Há risco para a vida da comunidade.

Neste "pacote" de segurança o governo aconselha que todos tenham estocado em casa: garrafas de água e alimento (para dois dias), um rádio de pilhas, pilhas e velas. Caso a sirene toque, fora da data programada, os cidadãos devem permanecer em casa e ligar TV, ou rádio, para receber instruções das autoridades de segurança.

Em 1953 uma inundação devastou a Holanda, uma elevação da maré, em 5 a 6 metros, arrasou as defesas da costa e causou uma catástrofe sem precedentes, foram computadas 1.853 mortes. A Holanda é um país que está abaixo do nível do mar e que depende fortemente de suas defesas marítimas.

Esta devastação marcou a mente dos habitantes e levou ao desenvolvimento de um dos maiores e mais modernos sistemas de proteção da costa - o projeto delta.

O mundo hoje vive conflitos que decorrem de dificuldades das sociedades com seus complexos poderes políticos e econômicos, demandas por mais abertura, mais liberdade, mais democracia e mais garantias para o exercício de suas escolhas.

Quando a nossa existência ou as liberdades são postas em risco, nossas mentes acionam as sirenes que alertam dos perigos que estão por vir.

Neste momento, na Europa, está em curso uma proposta que visa “retirar da legalidade” as garantias de acesso a ervas medicinais, vitaminas e suplementos naturais. Em breve isto pode se tornar realidade, provavelmente no final deste mês de abril. Nesta data centenas de produtos, derivados de ervas, serão criminalizadas em toda a União Europeia. 

Este processo teve início com uma nova lei, uma diretriz orientadora para toda União Europeia, aprovada em 2004 e chamada: “Diretiva dos Produtos Medicinais e Ervas Tradicionais (THMPD), 2004/24/EC”. 

Esta medida servirá de base legal para que se construam barreiras à oferta de produtos,; "critérios de segurança desproporcionais aos riscos reais" restringirão o acesso dos usuários aos “remédios de ervas”. 

A partir de abril as exigências para o “licenciamento” de produtos servirão de impedimento para a comercialização e, consequentemente, para as garantias de acesso e ao direito de escolha dos atuais usuários.

Requisitos para licenciamento de produtos, formulados de forma restritiva, ainda que adequada para os remédios químicos, representarão uma barreira para a produção e comercialização dos produtos com base em ervas. Para licenciar uma única erva medicinal dentro da UE, serão exigidos valores entre 125.000 a 180.000 dólares. 

Ervas não podem ser patenteadas! Ninguém pode se declarar proprietário e auferir os lucros de sua comercialização. São patrimônio da humanidade, da história do planeta. Quem irá investir para licenciá-la sem expectativa de retorno? 

Frente a esta iminente catástrofe, a provável devastação nas “práticas de cuidados naturais”, soou o alarme, a proposta de mobilizar a população, usuários e simpatizantes, para que se manifestem contra a implantação desta nova diretriz. Hoje, varias petições correm o mundo, a humanidade precisa expressar sua repulsa.

Há esperança de que esta sirene soante sirva para fortalecer a sociedade, para colaborar na organização das forças que defendem garantias para os direitos individuais, que reagem contra medidas que pretendem restringir a liberdade de escolha. 

O Brasil está envolvido neste movimento, tanto na campanha internacional para colher assinaturas contra esta diretriz da Comunidade Europeia quanto, no plano nacional, ao promover a defesa da liberdade de escolha para os usuários dos serviços públicos de saúde.

A Ação Pelo Semelhante se destaca neste movimento, tanto pelo apoio à luta européia quanto pela liderança no âmbito nacional, agora articulando a participação da diversidade das medicinas naturais. 

O sucesso do movimento brasileiro representa uma grande conquista, mais uma frente de articulação da sociedade, uma resistência para defender os interesses da sociedade contra diretrizes como esta que o parlamento europeu tenta tornar realidade para exportá-la para todo o mundo.

Faça parte da petição europeia. Participe e mostre que você não concorda com esta resolução. Acione a sua sirene. Assine e divulgue.

As sirenes são parte da educação dos nossos sentidos, de nossas ações em defesa de nossos direitos. Precisamos mantê-las como antenas, sempre ligadas e prontas para serem acionadas quando percebermos ameaças à nossa integridade ou a integridade de nossa democracia.

A sirene da Europa está tocando e nos avisa que precisamos adotar uma atitude global. É vital frear este ato que atenta contra as liberdades e que compromete a sobrevivência das Medicinas Tradicionais na Europa e, consequentemente, evitar que se expanda para outros locais do planeta.

Acione a sua sirene que ilumina o caminho da conscientização, da consciência de unidade para evitar que os Direitos Humanos sejam devorados pela globalização econômica.


Miriam Sommer, Medica Homeopata e Epidemiologista Clínica, brasileira, que vive e trabalha na Holanda há 11 anos
www.miriamsommer.nl
Fonte EcoMedicina
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Lena Rodriguez
Cuide Bem de Você!
Reeducação Mente & Corpo
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