segunda-feira, 26 de julho de 2010

246- TOXINA NA CARAMBOLA


Apelo dos Serviços de Saúde: não é aconselhável aos doentes nefrológicos ingerirem carambolas.

Na sequência das recentes celebrações do Ano Novo Chinês, o Serviço de Nefrologia do Serviço do Centro Hospitalar Conde de São Januário admitiu dois doentes com insuficiência renal crónica que, após terem ingerido carambolas, apresentaram sintomas de vómitos contínuos, soluços, desordem da consciência, tiques e coma, não estando ainda livres de perigo.

De acordo com as informações existentes nos nossos serviços, há dois anos ocorreu um caso similar com um doente hemodialisado, de mais de 70 anos de idade que, após a ingestão de carambolas, apareceu com sintomas de vómitos, disforia, desordem de linguagem e, após ter sido medicamente assistido, conseguiu recuperar. Assim, os Serviços de Saúde fazem o seguinte apelo: não é aconselhável aos doentes nefrológicos ingerirem carambolas.

A carambola, ou Averrhoa carambola, também conhecida como “star fruit” em virtude de ter cinco gomos e, quando cortada, parecer uma estrela de cinco pontas, é produzida em regiões do sul da China Continental, como Hai Nam, Guangdong, Guangxi e Taiwan. A carambola dispõe de casca fina, sabor agridoce, gosto agradável e é um fruto sumarento, que mata a sede e é estimulador do apetite, sendo por isso o seu consumo muito apreciado.

A nível internacional foi reportado, em 1998, o caso de um doente com uremia que, após ter consumido carambolas, apresentou sintomatologia do sistema nervoso e veio a morrer, fazendo-se referência, posteriormente, a outros casos semelhantes.

Os sintomas mais frequentes, que surgem logo após a ingestão da carambola, são o soluço contínuo, acompanhado de vómitos, evoluindo a situação para uma alteração do estado psíquico, incluindo desordem da consciência, disforia ou letargia, e até coma; em situações graves pode ocorrer epilepsia e mesmo morte.

Noutros doentes aparecem entorpecimento dos membros, redução da capacidade muscular e sensação cutânea anormal. Embora a relação entre o mecanismo patológico, a quantidade ingerida e a gravidade da incidência ainda não estejam confirmados, todavia, muitos especialistas acreditam na sua conexão com o ácido oxálico da carambola.

Presentemente muitos estudos evidenciam a grande probalidade da carambola dispor de uma neurotoxina, ainda não identificada, solúvel na água. Admite-se que, nos indivíduos saudáveis, após o consumo de carambola, a toxina pode, através do metabolismo, ser eliminada pelo rim, não indo causar intoxicação, ao passo que nos doentes com insuficiência renal, pode ocorrer distúrbio no metabolismo e na excreção, provocando a acumulação da toxina no corpo e o consequente aparecimento de manifestações de intoxicação.

Independentemente das informações clínicas, acreditamos que o consumo de
carambolas constitui um grande risco para a saúde dos doentes com fraca capacidade renal. Por esta razão, os nefrologistas não aconselham às pessoas que foram
diagnosticadas ou anteriormente sofreram de doenças nefrológicas, o consumo de carambolas ou dos seus derivados.
Os doentes com insuficiência renal ou que se submeteram à transplantação de rins, hemodiálise ou diálise peritoneal devem abster-se de ingerir carambolas. De um modo geral, as pessoas devem evitar o consumo de grande quantidade de carambolas em situações de jejum e de desidratração.
Centro de Controlo e Prevenção da Doença dos Serviços de Saúde (Unidade Técnica)
fonte:SSM
Mais informação veja aqui: TRANSDORESO

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Correção: Jaú-SP terá alerta sobre carambola
Da Agência Estado

A nota enviada anteriormente tinha um erro. A Câmara dos Vereadores da cidade de Jaú não proibiu a venda de suco de carambola, mas aprovou uma lei que estabelece a obrigatoriedade de alertar a população para riscos do consumo da fruta. Segue a versão corrigida:

A Câmara de Vereadores da cidade de Jaú, no interior de São Paulo, aprovou por unanimidade um projeto do vereador José Mineiro de Camargo (PSB) que obriga estabelecimentos como lanchonetes, bares, restaurantes, hospitais e repartições públicas municipais a afixarem cartazes alertando para o risco do consumo da carambola e do suco da fruta. A carambola tem uma toxina que pode matar portadores de insuficiência renal. A lei, que também estabelece aos donos de estabelecimentos que evitem a venda da fruta a pessoas que tenham complicações renais, vigora há menos de dois meses.

"É mais um alerta do que uma proibição às pessoas que têm insuficiência renal, para que não venham a sofrer as conseqüências. A carambola tem uma neurotoxina que não é filtrada e vai direto para o sangue. Se o paciente renal comer a fruta, ele deve contar ao médico, pois corre o risco de morrer se não fizer hemodiálise. O rim normal filtra a toxina", afirmou o vereador. Depois de contar que pesquisou o assunto, Camargo disse que os diabéticos também correm risco e que 99% da população desconhece os danos causados pela carambola.

O médico Eduardo Martins Rebec, nefrologista do setor de hemodiálise da Santa Casa de Jaú, confirma o risco no consumo da fruta. "Há risco de morte, sim. O rim de quem tem insuficiência renal não consegue eliminar a toxina, que se acumula no sangue e acomete o sistema nervoso central. Se o portador de insuficiência renal ingerir a carambola, pode ter convulsões e entrar em coma com risco de óbito", alerta. Para remover a toxina, é feita uma hemodiálise de urgência.

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