domingo, 19 de fevereiro de 2012

Os atos "falhos"


"Em todo adulto espreita uma criança - uma criança eterna, algo que está sempre vindo a ser, que nunca está completo, e que solicita, atenção e educação incessantes. Essa é a parte da personalidade humana que quer desenvolver-se e tornar-se completa" Carl Gustav Jung

Em medicina oriental, a doença é testemunha de um obstáculo para a realização em nosso trajeto na vida... Assim, a mente subconsciente exprime, por meio de problemas ligados à energia que geram doenças, os entraves ao nosso desenvolvimento pleno, sendo importante compreender e tratar os mecanismos psicoenergéticos que estão por trás da doença a fim de recobrar a saúde(...)

Junto com o que havia chamado de ato "falho", Freud nos forneceu um elemento extraordinariamente rico da psicologia individual e das interações corpo-espírito. Ele dizia que exprimíamos, liberávamos tensões interiores que não havíamos podido ou sabido liberar de alguma forma através dos nossos lapsos, dos nossos gestos desastrados e acidentais.

Assim, quando cometemos um lapso considera-se, na verdade, que este exprime o que realmente pensamos.

O que sempre me surpreendeu é que ele tenha chamado esses atos de "falhos". Eles são, em razão disso, automaticamente percebidos, sentidos como um erro, algo que não está adaptado e que deve ser evitado (ao menos pela maioria dos indivíduos). Isso é uma pena, pois, na medida do possível, iremos procurar impedir que eles aconteçam, particularmente quando instalamos uma censura interior mais eficaz. Prefiro chamá-lo de um ato "bem-sucedido", mesmo se o resultado tangível não for aquele esperado pelo Consciente da pessoa, pois esse ato é a manifestação real de uma tentativa de comunicação com o nosso Consciente por parte do nosso Não-Consciente. Trata-se de uma mensagem, às vezes codificada, através da qual o nosso Não-Consciente exprime uma tensão interior; para o nosso Consciente isso significa que as coisas não estão coerentes, não se encaixam. É o Mestre ou Guia Interior que vem puxar as rédeas que o Cocheiro adormecido segura, esperando que as sacudidelas causadas pelos buracos e lombadas do caminho venham acordar este último.

Assim como as mensagens das quais falava anteriormente e das quais ele faz parte, o ato "bem-sucedido" pode tomar três formas. Pode se tratar de um lapsus linguo, e, ou seja, de um "erro" de expressão verbal (empregar uma palavra no lugar da outra), de um gesto "desastrado" (derrubar uma taça em alguém ou quebrar um objeto), gesto esse que não apresenta o resultado esperado, e, enfim, de um ato mais traumatizante como um corte, uma entorse ou um acidente de carro. Vimos este último tipo no capítulo sobre os traumatismos.

O que acaba de ser colocado nos permite compreender por que Freud falou em ato "falho", uma vez que este sempre toma uma forma de aparência negativa. A razão é muito simples. O nosso Não-Consciente se comporta como uma criança. Quando uma criança acha que seus pais não lhe dão atenção suficiente, não a escutam o bastante, ela faz o que for necessário para que isso mude. No berço, ela chora, urra e isso funciona, então o sistema é bom. Mais tarde, estará fazendo a mesma coisa ao quebrar um prato, tirar notas ruins na escola ou bater na irmã ou no irmão menor. E nós agimos como os pais. Estamos ocupados demais para nos dar conta das necessidades da nossa criança interior. Então só reagimos quando o apelo se torna incômodo, ou seja, negativo. Não soubemos captar nada anteriormente. Acontece o mesmo entre o nosso Consciente e o nosso Não-Consciente. Este último nos envia muitas mensagens "positivas", como as que eu menciono no capítulo sobre o efeito espelho ou como os sonhos, mas, na maioria das vezes, não somos capazes ou não estamos prontos para ouvi-las.

O Não-Consciente, o Mestre ou Guia Interior, passa então para o segundo estágio, que é o das mensagens de caráter "negativo", ou seja, que oferecem dissabor, a fim de que escutemos e prestemos atenção. Se a comunicação ainda existir, uma vez que não foi cortada por uma hipertrofia do Consciente, a mensagem passará através de tensões físicas ou psicológicas, de pesadelos ou de atos "falhos" leves (lapsos, quebra de objetos significativos etc.). Se a comunicação for de má qualidade, mesmo quase inexistente, a força da mensagem vai aumentar (quando a linha está ruim no telefone, às vezes devemos urrar para que o nosso correspondente nos ouça). Vamos entrar na fase acidental ou conflitante para provocar e obter os traumatismos dos quais falei no capítulo anterior. Podemos também fazer com que fiquemos... doentes (pegar frio, beber ou comer em excesso ou em quantidade insuficiente etc.). Se, enfim, a comunicação for totalmente cortada, temos então a doença  profunda, estrutural (doenças auto-imunes, cânceres etc.).
(trecho do livro: Diga-me onde dói que te direi porque-Michael Odoul)


Segundo a tradição espiritual do Havaí, nossa Criança Interior por analogia é nossa Mente Subconsciente...  

SUA PRINCIPAL FUNÇÃO É A MEMÓRIA

É na criança que se encontra o nosso reservatório de memórias, todos os registros, programações e suas percepções... 

São nossas crianças que riem, que choram, que sentem medo, raiva, amor, ódio, alegria, enfim, todas as emoções e que nos fazem pensar que somos nós (mente consciente)... Elas têm características próprias, podendo ser brincalhonas, mal humoradas, primitivas... 

Todos esses sentimentos e emoções que provêm das memórias da criança podem ser tão fortes a ponto de superar a nossa vontade (mente consciente)... E não termos o menor controle!!! (portanto, daí advém o ato falho percebido por Freud).

Armazena também ideias não percebidas pela mente consciente no momento de sua formulação. E nós, (mente consciente) não sabendo que estão lá, não solicitamos. Assim, pode a Criança, em determinadas ocasiões, fazer com que nós não possamos controlar a sua manifestação. 

É a Criança em nós que aprende, que se lembra e se recorda, é ela que desenvolve as nossas habilidades e hábitos, a que mantém a integridade do corpo físico, guardando um sentido de identidade durante o dia a dia. 

Também é ela que registra todas as impressões, tanto dos fatos bons quanto dos ruins. É a ‘responsável’ pelo ‘nosso’ raciocínio dedutivo partindo das imagens que são fornecidas durante a infância. 

Ela faz também faz associações das recordações para a concepção de um raciocínio que, “pensamos”, partir de nós (mente consciente). 

Quando nossa mente consciente solicita qualquer tipo de comando, é a criança interna que responde rapidamente, dando forma às lembranças e as enviando, dando-nos a impressão de que o que falamos ou escrevemos está registrado em nossa mente consciente. 

É em nossa criança interna que estão impressas nossas crenças, nossa memória genética e a aprendida, ficando guardadas no corpo, memórias celulares, como um modelo de vibração ou movimento. E quando há um estímulo, interno ou externo, mental ou físico, o movimento ocorre e a memória é liberada, dando origem a um comportamento mental, emocional ou físico.

Ela é responsável por toda parte instintiva em nós, as funções involuntárias do corpo, pela fisiologia do corpo, crescimento, desenvolvimento, manutenção (metabolismo), recepção e transmissão sensorial. 

Quanto aos nossos hábitos, os registros captados pelos cinco sentidos que passam a se incorporar na repetição de procedimentos que acabam transformando-se em costumes. Assim como qualquer coisa que você ouve, vê, toca, cheira ou diz, de igual modo, é armazenado. E isso acontece pela participação da mente consciente, de forma direta ou indireta. 

Todas as manifestações que nós adultos temos, através de sentimentos, emoções, toda e qualquer reação que tenhamos, são sempre a maneira de nossa criança interna reagir.
A comunicação, a reconciliação com a nossa criança têm a ver com o perdão que pedimos a ela pelos julgamentos que fizemos dela. Julgamos nossa criança interna sempre que julgamos alguém, não importa quem e que tipo de julgamento, afinal somos UM!

Lena Rodriguez

Cuide bem de você...
www.cuidebemdevoce.com

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