quinta-feira, 14 de junho de 2012

HOMENAGEM DIA DO VINHO


E porque não falar de vinho, ele é excelente!!!





Segundo o e-mail de meu amigo Thomas: "O dia 12 de Junho é um dia muito apropriado, pois é fácil enamorar-se desta bebida maravilhosa. Artigo abaixo do meu amigo e enólogo Osvaldo Nascimento."










HOMENAGEM AO VINHO EM SEU DIA 12 DE JUNHO
Osvaldo Nascimento Júnior:

Como tudo que é importante tem seu dia em nosso calendário, não poderia este néctar dos deuses, deixar de ter o seu dia especial, em especial com a proximidade do inverno, que não marca só a chegada do momento ideal para degustar um bom vinho, como reforça a habitual associação que se faz entre o sumo da bebida e a prática para reunir pessoas para celebrar, período também importante para toda a cadeia produtiva do líquido bacante.

O VINHO MERECE NOSSA HOMENAGEM NESSE SEU DIA.
O vinho é uma bebida social, preconiza o sommelier da Nieto Senetiner, Maurício Marcondes, onde desde 1888 instalada no coração de LUJAN DE CUYO ( província de Mendoza, historicamente conhecida como "primeira zona" (Zona Premium) em altitude de 900 mt. apresenta condições de clima e solo ideais para cultivo de uvas com alta qualidade e cita as etapas de produção do vinho na antiguidade, que eram acompanhadas por verdadeiro festivais - isto quando a bebida nem estava pronta.
Ao degustarmos uma taça de bom vinho, muitas vezes desconhecemos suas origens até seu nome. A filologia nos leva facilmente através da palavra "VINHO', aos tempos mais remotos. Mil e quinhentos anos a.C predominava na Ásia Menor a língua dos hititas, que davam ao vinho o nome de WE-AN, em seus caracteres cuneiformes, e de we-anas, no hieróglifos, termo muito possivelmente aparentado ao VENA do Sânscrito.

O mais antigo substantivo grego referente ao vinho, está em uma inscrição antiga e o designa por voinos, precursor de oinos, do grego clássico, e do qual derivou o VINUM latino. Do Vino vieram  o nosso VINHO, o vino italiano, russo e espanhol, o francêss Vin, o Wein alemão e o Wine inglês. Pertencem à mesma origem o Vayan hebraico e o Wa-yn árabe e tantos outros.

GOLES DE HISTÓRIA.
Desde os primórdios da humanidade, o vinho sempre acompanhou o homem em todos os seus momentos, alegres ou tristes, parafraseando Napoleão,” Necessário nas derrotas, importante nas vitórias". Sendo sua fermentação alcoólica um fenômeno natural e espontâneo, o vinho também precedeu o homem, sendo com certeza a mais antiga bebida conhecida, depois da água.

A vinha é muito provavelmente originária da Ásia menor, especificamente da região entre a Pérsia e a Armênia. Da Pérsia propagou-se a viticultura por toda a Ásia Menor (no chamado Crescente Fértil)para o Egito e, depois pelos barcos fenícios, para todo o Mediterrâneo.

Os egípcios fizeram vinho muito antes de Baco. E aqui não é lenda, é história comprovada. Foram descobertas entre os tesouros reais da I Dinastia (3.000 anos a.C) jarras de vinho fechadas.Mil e quinhentos anos depois, os rótulos das jarras do tempo do Faraó Amenhotep III, continham informações que os rótulos das garrafas de hoje, a saber: ano, localização geográfica (correspondente a apellation controlée francesa), a sociedade proprietária do vinhedo (correspondente ao Chateu ) e o vinificador responsável (sem correspondente até hoje).
 Essas foram às descobertas do egiptólogo e amante de vinhos Leonardo Lesko, da Universidade da Califórnia Berkeley, entre outros fatos históricos contados em seu opúsculo A Adega de Tutankamon, em que descreve o achado de 36 jarras de vinhos nas câmaras mortuárias do jovem faraó, descobertas por Howard Carter. Destas, 26 tinham rótulos bem especificados, inclusive dois com a inscrição de "vinho doce", o que faz supor fossem os outros secos. Algumas continham ainda a inscrição "vinho de boa qualidade", o que naturalmente não pôde ser conferido porque milênios de evaporação esvaziaram as jarras.

Dos países mediterrâneos foi sem dúvida a Grécia que testemunhou o esplendor do vinho na antiguidade. Homero, Platão, Xenofonte e Aristófanes, entre outros, citam-no gloriosamente. Era usado em cerimônias religiosas, em libações e festins, bem como na medicina. Sabe-se que os vinhos eram doces, diluídos em água e mel e com adoção de resina de pinheiro. Possivelmente desse vinho descenda o atual vinho grego muito apreciado, Retzina.

O vinho, o azeite, o linho e o trigo sempre acompanharam a civilização. Da Grécia passou a vinicultura, seis séculos antes de Jesus. Ao grande Império Romano, onde foi cantado por grandes poetas - Virgílio, Horácio, Plínio e Ausônio (este emprestou seu nome a um dos melhores vinhos de hoje, o Chateau Ausone).
Catão, homem ríspido e austero, em sua célebre obra DE AGRI CULTURA, explica como plantar, cuidar e cultivar a vinha, bem como a fabricação do vinho romano. Os legionários romanos na expansão do Grande Império, levaram em suas mochilas a tríade alimentar aos povos conquistados como o trigo para fazer o pão, a azeitona para fazer o óleo de oliva e as parreiras para o cultivo da vinha à Galia (França, hoje), Aquitânia (hoje região de Bordeaux), Ibéria (Espanha) e Porto Gália (Portugal), Germânia (Alemanha). Enfim a todo o Império Romano, pátrias futuras de grandes vinhos. Como vemos, além de levar aos povos conquistados as leis do Corpus Juris Civilis (hoje o Direito Civil), o grande Império ensinou-os a se alimentarem. Grande herança que até hoje ainda vemos os frutos.

OS GRANDES PRODUTORES.
Como enfatizamos sempre em nossa Coluna, mais que uma poderosa indústria, o vinho e a comida, são uma maneira de viver e um símbolo nacional da França, cuja rendemos nossa homenagem à esse povo que tem feito do vinho, através dos séculos, uma emoção para a humanidade. A França com suas três regiões: BORDEUAX, BORGONHA E CHAMPAGNE, situam-se acima de todas as outras regiões vinícolas do mundo, representando o vinho em seu maior esplendor, digno de uma homenagem nesta data tão importante que é o seu dia, difundindo suas uvas Vitis Vinifera como a Cabernet Sauvignon, Malbec, Merlot, Gamay, Pinot Noir, Sauvignon Blanc, Chardonnais (considerada a rainha das uvas brancas pelo marketing francês  mas contestado este título pela Riesling alemã) e outras mais que algumas transformaram-se em uvas emblemáticas de diversos países do mundo.

A Itália também tem um importante papel neste mundo de Baco, pois nos deu até o deus vínico e se não foi igual à França foi à altura do desenvolvimento e enriquecimento da cultura vínica.

AS esplendorosas condições de clima e solo italiano fizeram de toda a península e das ilhas próximas, no conjunto, notáveis produtos de vinho. Essa abundância vinícola levou os gregos a denominar ENOTRIA TELLUM (Terra do Vinho) a península itálica. O vinho tal como o conheceu originou-se nesta parte, o sul da Itália, assumido pelos romanos, entre Nápoles e Roma. Situavam-se os ancestrais sob grandes crus. Os primeiros vinhos a terem o nome e qualidade. Receberam uma conotação diferenciada no mercado.  A fartura peninsular conduziu a grande liberalismo na maneira de plantar as parreiras e fazer o vinho, ao ponto de na Ilha da Sicília, em Siracusa, nome grego, pois era uma colônia grega e as maiores plantações do líquido de Dionísio (deus do vinho grego), chegando a ser o maior produto de exportação grego antes da conquista da Grécia pelo Império Romano. Métodos tradicionais permaneceram e ainda estão presentes em muitas partes do território italiano, como na Toscana ao norte de Roma, com as castas Sangiovese (sangue de Júpiter), a uva emblemática italiana, Brunello, uva que produz o famoso vinho produzido na região de Montalcino, Malvasia (branca), Chianti Clássico e no Piemonte, noroeste da Itália as tintas locais - Barbera, Nebbiolo, Dolcetto e as brancas Moscato, Cortese e Arneis e tantas outras.

Outras regiões constituíram e ainda hoje são importantes no mundo vínico como a Espanha,, onde os fenícios ali plantaram os ´primeiros vinhedos na Andaluzia em 1.100 a.C. hoje com sua uva emblemática Tempranillo em Riojas ( do Rio Ojas, dizem que espanhol não toma vinho toma Riojas) e Tinto Aragonés e Garnacha em Ribero del Duero, com destaque ao fortificado Jerez, da região de Jerez de la Frontera e Cadiz com as uvas Palomino, cujas tradições são festejadas com justiça no mercado internacional, e hoje várias regiões têm inovado e trazido um estilo moderno e de grande qualidade ao vinho espanhol.

  Portugal, com sua história vínica vindo do século VII a.C. com a chegada dos gregos que plantaram as primeiras vinhas na península Ibérica, e suas inúmeras uvas autócnes (próprias) como Touriga Nacional ( a uva emblemática e a rainha das uvas  portuguesas), Arinto, Sercial, Castelão, Periquita, Trincadeira e tantas outras, destacando o  Vinho Verde, o verdadeiro vinho português, produzido ao norte de Portugal no Rio Minho, com as uvas Azal Tinto, Vinhão, e brancas Avesso, Alvarinho etc. E o famoso Vinho do Porto que não é considerado vinho português e sim inglês, produzido no nordeste de Portugal na região do Rio Douro, com as castas mais comuns como a Touriga Nacional, Bastardo, Tinto Cão e outras e as brancas, Esgana-Cão, Malvasia fina, Donzelinho etc. Notamos os nomes das uvas diferentes a que estamos acostumados, mas dão grandes vinhos nas regiões acima destacadas e mais Bairrada e a nova descoberta nestes últimos vinte anos o Alentejo, centro sul de Portugal, na divisa com Espanha. É importante salientar que Portugal é famoso por sua posição ao afirmar que NÃO PRECISA DE UVAS FRANCESAS PARA PRODUZIR GRANDES VINHOS, POIS TEM AS PRÓPRIAS (autócnes). Damos toda a razão, é só experimentar.

Não é exagero dizer que o prestígio do vinho e também status como bebida nobre devem-se aos produtores do Velho Mundo. O título acima também não carrega nenhum exagero. Velhos sábios, sim, pois foram eles os primeiros a entender o valor do "terroir" (a carteira de identidade do vinho) e a importância de se estabelecer regras para sua produção. A produção mundial hoje de vinhos está dividida em Velho Mundo e Novo Mundo. No primeiro grupo, estão os países europeus de longo prestígio na elaboração de vinhos nobres, como os já citados acima e mais Alemanha e Hungria. No segundo time poderíamos dizer que estão os demais países, destacando-se os emergentes - Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul - e a América do Sul, com Chile, Argentina, Uruguai e Brasil.

A TRADIÇÃO DO VINHO NAS RELIGIÕES.
Ao contrário das religiões islâmicas e do induísmo, a cristã sempre esteve intimamente ligada ao mondovino. O próprio Jesus se identificou com ele na Eucaristia, ao transubstanciar sua carne e sangue em pão e vinho. Assim, desde a última ceia, esse líquido dionísiaco tornou-se absolutamente essencial à execução dos rituais religiosos ao ponto de sua divulgação pelo mundo ser devido à estas exigências sendo plantado em todos os mosteiros e igrejas onde chegava a fé cristã, em todas as épocas. As referências bíblicas ao vinho em nossa cultura judaico-cristã são várias, chegando a 520 citações, entre algumas podemos citar: Gênesis, Noé cultivou a vinha e foi o primeiro a embriagar-se com ele, tendo seu ato representado na Capela Sistina no Vaticano, na obra prima do grande Michelangelo Buonaruota(1568/1646), com seu traço vigoroso e apaixonado a pedido do Papa Júlio II que recomendou-lhe  pintasse a transgressão de Noé, no teto da Capela Sistina, acima da área reservada aos leigos, porém a vista dos seus cardeais. Noé é considerado o INVENTOR DA VINICULTURA, pois diz a história que o mesmo esqueceu alguns cachos de uvas dentro de uma ânfora de barro. As frutas fermentaram em um líquido que desconhecia. Noé provou e gostou tanto que avançou o sinal da sobriedade.

Outro fato singular citado na Bíblia com referência ao vinho é sobre as duas filhas de Loth, no Antigo Testamento, episódio de interpretação complexa, que usam o vinho para embriagar o pai e obter descendência. Dormem com ele na montanha, onde fugiam da destruição de Sodoma e Gomorra, gerando Moab e Ben Ami.
"Deixa de beber água; toma um pouco de vinho para o bem de teu estômago e de tuas enfermidades", conselho de São Paulo à Timóteo.
Foi a fermentação espontânea das uvas através de enzimas, então invisíveis, que levou aos povos a lhe atribuírem uma imagem divina, porque sem Pasteur a fermentação é muito parecida com milagre.

FATOS MAIS IMPORTANTES DO VINHO NO SÉCULO XX.
Conforme nos ensina nosso Mestre enófilo curitibano LUÍS GROFF, autor de O Planeta Vinho, que recomendamos a leitura, um sério candidato foi a transformação da AOC, a de denominação de origem controlada francesa em lei no ano de 1905. Outra medida importante foi a decisão do Baron Phillipe de Rothschild, em 1923 de engarrafar toda a produção do Château Mouton- Rothschild na propriedade. Além de adotar a "Mise en Bouteille au Château" no seu Mouton, lutou o Barão para os outros crus Classés fizessem o mesmo, o que conseguiu antes do fim da década, embora o Chateau Margaux tenha abandonado a prática, por algum tempo, na década de trinta. Hoje o engarrafamento na propriedade virou um selo de garantia, adotado por todos os grandes produtores do mundo.

HOMENAGEM MERECIDA A ROBERT MONDAVI.
Mas apesar da importância dessas duas medidas, nosso Mestre LUIS GROFF, e nós concordamos plenamente, diz que o fato marcante do vinho do Século XX, foi a revolução tecnológica ocorrida na Califórnia (USA) em 1963, quando Robert Mondavi adotou em escala industrial os dispositivos de controle da fermentação a temperatura controlada, sem os quais o vinho não teria jamais atingido o gosto do mercado internacional fora das regiões tradicionais da França.
As plantas modernas, espalhadas pelo mundo, utilizando as grandes cepas francesas, tanques de inoxidável e as pequenas barricas de carvalho, são filhas do pioneirismo de Mondavi, sem o qual nós hoje estaríamos emparedados entre o vinho artesanal a preços vertiginosos e aquele vinho ordinário, ironicamente apelidado de “Chablis”, “Borgogna”, “Claret”, pelos inúmeros impostores do resto do mundo. Lembramos que a Vinícola Robert Mondavi é a estrela do Napa Valley, o Vale dos Prazeres na California (USA) com mais de 300 vinícolas, que recebem mais de 5 milhões de enoturistas/ ANO, localizada em Oakville é a maior delas desde 1966 produzindo vinhos finos, caros e uma estrutura grandiosa, como pudemos verificar quando de nossa visita.

Assim, por ter OUSADO pensar diferentemente da maioria, ROBERT MONDAVI FOI O HOMEM DO SÉCULO XX DO MUNDO VÍNICO, pois toda a vez ao tomarmos um vinho que seja de qualidade e acessível a nosso bolso, DEVEMOS TODOS FAZER UM BRINDE A ESTE HOMEM ADMIRÁVEL.
UMA POÇÃO MÁGICA.

À par de tanta história e tradição, podemos dizer que o vinho, durante muito tempo, foi a única fonte de conforto e coragem. O único meio disponível para combater o cansaço e a tristeza, e ao voltarmos para a mitologia greco/romana em que o deus Baco (ou Dionísio) derrama uma ambrosia (substância que alimentava os deuses do Olimpo) nos ferimentos de seu amigo Ampelos transformando-o em vinha e espremendo um cacho diz: “
De agora em diante, ao colocar este néctar dionisíaco em sua taça, reflita que apreciar um bom vinho com responsabilidade é unir os sentidos ao paladar, visão e olfato a uma cultura milenar, repleta de lendas, mitologias, conceitos e preconceitos. Cada nova taça de vinho bebida com responsabilidade, nos faz crescer e aprender a interpretar novas sensações e, às vezes, nossos sentimentos. Há raros momentos em que conseguimos transcender às emoções e absorver séculos de história, cultura, qualidade, perseverança e realizações, contidas em um bom vinho.

“Esta é uma história humana. Começa com o vinho sendo adorado como um ser sobrenatural, o portador da alegria. Galga os cumes da inspiração dramática e mergulha nas profundezas da fraude, embriagues, traição e homicídio. Remete a ardorosas convicções espirituais, nenhuma tão passional quanto a convicção islâmica de que o vinho é uma dádiva grande demais para este mundo”. Surpreende o médico em sua tarefa de curar, o político no ato de trapacear, o monge em sua cela e o marinheiro cruzando o oceano. (trecho de A História do Vinho de Hugh Johnson).

Neste dia dedicado ao líquido bacante, façamos um brinde à arte de viver à este companheiro que acompanha o homem em todos seus momentos, e celebremos a vida com um brinde com responsabilidade, à saúde, fôrça, união, felicidade e prosperidade, com uma nova descoberta a cada garrafa.
LAOS VINO ET DEO. Louvor ao vinho e a Deus que o criou.
AVOE. BRADO DE SAUDAÇÃO Á BACO POR SEUS SÚDITOS.
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Tomar um bom vinho, também é cuidar bem de você!!!
Cuide bem de você...
www.cuidebemdevoce.com

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