quarta-feira, 27 de junho de 2012

O que a doença quer nos dizer?


CÁLCULO RENAL – UMA DOENÇA PSICOSSOMÁTICA




A TEORIA PSICOSSOMÁTICA E SEUS PROCESSOS

O nome mais apropriado deveria ser simplesmente Psicossomática, já que seu conhecimento deve estar sempre presente em todas as áreas médicas, ajudando ao profissional na pesquisa geral das causas de qualquer tipo de enfermidade. Como bem disse Porto em sua obra Semiologia Médica:

[...] A medicina psicossomática deixa de ser uma especialidade ou um grupo de doenças para converter-se em um fundo, um colorido de toda a Medicina Contemporânea. Independentemente de sua etiologia, a doença está inserida na biografia do paciente, e o médico nunca poderá ajudá-lo devidamente se não compreender o significado biográfico do seu padecimento [...] (Porto, 2005, pg.1080).

Mas como entender o seu conceito? Acreditamos que o estudo tem início no entendimento das emoções, pois é nelas que estamos colocando o peso da causalidade. E para bem definir o que essas emoções podem provocar, convém refletir sobre as seguintes palavras de Sabetti, em O Princípio da Totalidade:

As emoções são movimentos energéticos de uma qualidade específica e, mesmo que sua expressão direta esteja bloqueada, procuram outras vias de expressão. Entre as várias vias de descarga, quatro são as mais freqüentemente usadas: a psicopatologia (loucura), a dramatização do comportamento (crime), a sublimação (o "vício do trabalho") ou a doença psicossomática (alguma manifestação de doença física). Dessas quatro vias a que nos interessa é a última, na qual sintomas físicos são manifestações indiretas de uma mensagem emocional mais profunda que está tentando expressar-se. (Sabetti, 1991, pg.182).

Nossa conceituação de psicossomática, então, procura ser um pouco mais abrangente do que a simples avaliação fisiológica das interações do corpo com o aspecto emotivo do Ser. Ela transcende essa relação em direção ao estudo de todo o Ser integrado, de forma holística, com a convicção de que esse Ser pesquisado e analisado é muito mais do que a simples soma de todas as suas partes, incluindo aí tanto a vida psíquica consciente como, e principalmente, a inconsciente.

De acordo com nossa conceituação, achamos necessário que se precisa deixar bem claro a diferença entre reação psicossomática e paciente psicossomático.

Entendemos como reação psicossomática a reação temporária provocada por um acontecimento muito forte na vida do indivíduo e que o tenha chocado sobremaneira, ao ponto do organismo preparar uma resposta orgânica simbólica. Essa resposta significa uma forma inconsciente de auto-proteção. Já o paciente psicossomático é o indivíduo que durante toda a sua vida apresenta respostas ou surtos de características psicossomáticas. Essa é a sua única forma de vida e ele se acha dependente dela.

• O Processo Psicossomático


O Fenômeno Psicossomático é apresentado em três tempos bem definidos, tendo início em algum trauma na infância (que pode ter sido uma perda de grande significância, do tipo morte ou separação), a evocação desse trauma (algum acontecimento que o faz relembrar desse trauma); e a expectativa da repetição, quando está, então, estabelecida à enfermidade.

Um trauma de infância, então, é o início do processo. Normalmente ligado a uma perda de grande importância para o paciente, esse trauma vai ser gravado em seu inconsciente, onde fica esquecido durante muito tempo. Em determinado momento da vida desse paciente ocorre um fato que o faz relembrar desse trauma.

É o momento da evocação do trauma, que funciona como uma espécie de gatilho para que o emocional ligado ao inconsciente inicie o seu processo de trabalho, alterando as condições antes estáveis de seu organismo.

Esse processo inicial leva cerca de um ano, montando, inconscientemente, a expectativa de repetição, ou seja: o emocional do indivíduo já se prepara inconscientemente para a repetição do fato que relembra o trauma da infância. Essa expectativa significa alteração em seu estado emocional, provocando hiperatividades em seu sistema nervoso. Essa hiperatividade vai ser refletida em algum órgão, estabelecendo aí a enfermidade. A escolha desse órgão não é ao acaso. Entre os fatores que determinam essa localização estão:

1. Fragilidade Orgânica

Uma fragilidade localizada, como uma lesão antiga, mesmo que totalmente curada, pode servir de alojamento para essa enfermidade, sejam elas da área digestiva, cardíaca, ou outras;

2. Benefício Inconsciente

A necessidade, inconsciente ou não, de fugir da responsabilidade ou de chamar a atenção para si mesmo, pode provocar a localização da doença em órgãos que o impossibilitem de andar, falar, trabalhar, etc.

3. Traumatismo Afetivo Desencadeante

A própria natureza de um traumatismo afetivo, como um estupro, por exemplo, pode desencadear um processo em que a enfermidade se localize nos órgãos genitais, provocando doenças na área ginecológica ou distúrbios sexuais.

Como se pode ver, as Doenças Psicossomáticas são aquelas que também têm um componente psíquico. São manifestações das doenças orgânicas provocadas por problemas emocionais, nervosismos, depressão, etc. Quando somatizamos então, temos a consciência de que forçamos além da conta uma emoção. E assim, lá vem um resfriado, uma diarréia, um herpes, uma enxaqueca... O corpo expressa, põe para fora as emoções, que por vezes escondemos de nós mesmos, por meio de gestos, mímicas, contraturas, calor, tremor, dores de barriga, sustos, travamento dos dentes, enfim, tantas e tantas demonstrações físicas.

Esta questão sinaliza que o nosso corpo reflete o que pensamos e sentimos. Quando reprimimos as nossas verdadeiras emoções elas vão ficando represadas, nos machucando profundamente. A represa cheia extravasa por algum lado, costumando explodir em algum órgão mais sensível do nosso corpo. Exigimos tanto de nosso organismo, que num determinado momento ele avisa: CHEGA! AGORA NÃO DÁ MAIS! DÁ UM TEMPO! PARE! SOCORRO! Se não observarmos os sintomas internos, eles podem agravar-se e nos afastar do trabalho, da família, dos amigos e etc.

Conclui-se então, nos referindo ao tema estudado que é exatamente no chackra supra-renal (RINS) que as mágoas se acumulam, diminuindo muito a proteção do campo áurico dessa região. Não é por acaso que, em uma situação de separação, por exemplo, que geralmente traz consigo muita mágoa, tristeza e dor, os envolvidos acabam desenvolvendo alguma coisa relacionada a este órgão, como é o caso de um cálculo renal, onde este também está relacionado a alguns medos, medos estes, que irão depender de pessoa para pessoa, ou seja, da história de vida de cada um.


DEFINIÇÃO DO CÁLCULO RENAL – VISÃO MÉDICA


Cálculo renal, cólica nefrética, litíase ou “pedra nos rins”, como é popularmente conhecido é considerado um dos problemas mais comuns que ocorrem nas Vias Urinárias. São formações sólidas que se originam a partir de sais minerais e materiais cristalinos (cristais de cálcio, ácido úrico, magnésio). Possuem os mais variados tamanhos e podem se localizar nos rins, ureteres e bexiga.

Muitas vezes, a pessoa sequer desconfia ser portadora do cálculo renal, já que a pedra pode ser tão pequena que acaba sendo eliminada naturalmente pela urina. Alguns cálculos, por sua vez, apresentam-se assintomáticos, não necessitando por parte do indivíduo portador, qualquer tipo de tratamento. Porém naqueles casos em que o cálculo fica preso nas Vias Urinárias, estes podem obstruir a passagem da urina e causar dor em cólica, geralmente referida de grande intensidade, náuseas e vômitos, hematúria (sangue na urina) e disúria (dor ao urinar).

Uma complicação importante que pode ocorrer é a obstrução total das Vias Urinárias, causando dilatação nestas estruturas e até mesmo a interrupção do processo de filtragem do sangue pelo rim.

Acredita-se que pessoas com hábito de ingerirem pequena quantidade de líquidos, com casos de cálculos na família (herança genética) ou infecções no Trato Urinário parecem ser mais propensas a desenvolverem cálculo renal.

Constata-se que o diagnóstico baseia-se num primeiro momento, no exame físico realizado pelo médico, onde este procura determinar a localização da dor durante a crise, assim como fica atento aos sintomas apresentados pelo paciente. Em um segundo momento, confirma-se o diagnóstico clínico com a utilização do Raio-X, Ultra-sonografia do Trato Urinário ou Urografia Excretora, que mostrará a anatomia e drenagem das Vias Urinárias.

Muitas vezes o tratamento é sintomático, e objetiva aliviar a dor e outros sintomas como náuseas e vômitos, utilizando medicamentos propícios ao tratamento. A Litotripsia Extracorpórea (LECO) é um outro método utilizado. Trata-se de um procedimento não invasivo em que o paciente recebe ondas de choque que visam destruir os cálculos dentro do rim, para que assim estes possam ser eliminados pela urina.

Ressalta-se aqui, um outro tipo de intervenção, que seria neste caso, a nutricional. Com isso, o paciente também é orientado a aumentar a ingestão hídrica bem como evitar certos alimentos (em excesso), como: peixes e frutos do mar; gema de ovo; vísceras (fígado, coração, etc.); suplementos alimentares em pó; feijão; lentilha; soja; verduras como: brócolis, espinafre, couve; beterraba; tomate; berinjela; quiabo; café; chá preto; chocolate; salsa; pimenta e frutas como: figo, ameixa, uva, tangerina, caqui, amora etc. Alimentos permitidos: clara de ovo, verduras, frutas e legumes (exceto os citados), arroz, macarrão, batata, aveia, pães brancos, torradas, mel, sobremesas que não contenham leite, chá mate, erva-doce, camomila, maionese, óleos vegetais, margarina e geléia de frutas (exceto os citados).

Embora estejamos todo o tempo estudando as implicações psicossomáticas em todo o organismo do paciente, estudo direcionado exclusivamente para o seu corpo, nossa conclusão extrapola o tratamento de uma enfermidade do corpo e alcança a enfermidade do Ser como um todo.

Por enfermidade do Ser como um todo estamos nos referindo ao grande mal da particularização de uma determinada área do conhecimento, quando o homem é forçado pelas mais diversas academias a um trabalho incessante em direção a sua especialização profissional, sendo convencido pelo sistema a não dar a devida importância a qualquer conhecimento diferente dos de sua área, como se o mundo fosse constituído de seu interesse primário, em primeiro lugar, e complementado de forma bastante desimportante, pelas demais áreas do conhecimento humano.

Assim o homem se desinteressa pela cultura geral e mergulha fundo em sua área de interesse, vencendo no início todas as barreiras profissionais e alcançando sucesso nos empregos, até o dia em que precisa em cargos mais elevados, efetuar raciocínios comparativos, quando então percebe que todas as áreas estão interligadas todo o tempo e o conhecimento de uma necessita, sem dúvida alguma, do conhecimento dos rudimentos de todas as outras.

Em alguns casos existe a possibilidade da recuperação, exigindo do homem o redirecionamento de seus estudos de uma forma mais abrangente e tolerante, mas em alguns casos essa descoberta chega muito tarde, significando a perda da posição alcançada, ou até o fracasso total de sua vida profissional.

Ou seja, aquilo que no caso específico das doenças provenientes de causas psicossomáticas, pode causar até a morte do paciente (na inobservância dessas relações causais pelo médico assistente, mesmo que esteja sendo medicado com correção clínica), quando transportado para a vida em geral pode determinar a falência de um Ser, condenando-o ao fracasso intelectual, por mais títulos que tenha alcançado em sua área específica de especialização profissional.

Percebemos então, que o conhecimento psicossomático mostra ao profissional de saúde que todas as coisas do mundo estão relacionadas entre si, por mais diferentes que possam parecer, determinando ao homem uma atualização constante em todas as áreas do conhecimento, devendo ele libertar-se da maléfica tendência de superestimar sua área específica em detrimento do necessário conhecimento das demais.


Considerações Finais


Concluíamos que as doenças são multicausais e por si só não são boas ou más, elas sinalizam algo para o sujeito. A doença tem um significado para cada pessoa, em cada momento vivido, de acordo com cada história. Pensando no cálculo renal, acreditamos que o sintoma mais presente na sua doença, é a dor física. Quando pedimos que o indivíduo nos fale da dor que sente, esta dor pode estar além da dor propriamente orgânica, podendo simbolizar qualquer mal-estar.

Devemos nos perguntar o que se propôs esse sintoma? Que situação ambiental possibilitou o surgimento desse sintoma?

A Psicoterapia deve enfatizar que não se deve reter as dores, seus sofrimentos, deve aprender a expressá-los de uma forma que não lhe cause tanto desconforto e sofrimento.

Em função de tudo que foi explanado, conclui-se que é fundamental tentar conhecer o que a doença quer nos dizer para que a partir daí possamos tratá-la da melhor forma possível.

Dra. Patrícia Albuquerque
Fonte 
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Cuide bem de você...
www.cuidebemdevoce.com

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